Silence





He will keep you strong 'till the end
and then
you will be free
FOREVER

Você

Sinestesia, catarse, transcendência
Arrepio
Beijo na nuca
Pensamento
Desenho na areia da praia
Sentimento
Atrito das lembranças
Quase saudade de você.

Uma saudade tatuada
Seu desenho
Reticência sem fim
O fim é o encontro, o toque, o beijo, o abraço
O mar infinito
O doce mar infinito.

O doce, pede mais
Quero mais
Sonho mais
Desejo mais
O mais, o desejo, o mar, vão além
Sempre além
Além mar, mas não infinito
No finito do infinito.

No toque, você
Tudo que na areia da praia se desenha
Pleno de lembranças, de corpos
Corpos, catarse, transcendência
O movimento não tem fim
Como as ondas do mar sem fim
Reticência...

Toque das mãos, dedos que se cruzam, segredos
Braços que aproximam, abrigo
Esconderijo, tesouro
Raro, escondido, camuflado
De buscas, de merecimentos, de tempos
Encontrado.

Poder ficar nu, escancarado
Sem fronteiras
Sem rostos ruborizados
Toque de lábios
Abraços
Palavras ausentes
Tampouco necessárias.
O som do mar cobre tudo em silêncios
Lindo como sempre esteve
Do começo ao fim
Único.

Taxonomia

Um verbo: transitivo
Um lugar: tão longe
Um adjetivo: tétrico
Um carinho: ternura
Um objeto: telescópio
Um excesso: transtorno
Uma falta: tormento

Uma dor: tão
Uma recusa: tabu
Uma saudade: tempo
Uma marca: tatuagem
Uma palavra: transcender
Uma qualidade: tenacidade
Um defeito: teimosia
Uma proteção: trincheira
Uma igualdade: tal qual
Uma diferença: tolice
Um gosto: tempero
Um sem gosto: trivial
Um sim: também
Um não: tampouco.
Um tempo: temporal

Um sentido: tangível
Um desejo: tácito
Um perdão: tesouro
Um estado: todo
Uma sensação: tesão
Uma regra: tradição
Uma verdade: teorema
Uma amizade: talismã
Uma incerteza: talvez
Uma certeza: turbilhão
Pra começar: tentativa
Pra acabar: tchau
Pra acalmar: Trindade
Pra ajudar: tônico
Pra chorar: tristeza
Pra alegrar: tanto
Pra ver: tato
Pra não ver: tapume
Por saber: técnica
Por não saber: talento
O que passa: temporário
O que não passa: temporão

Da música: tom Da voz: timbre Do corpo: toque Da alma: tamanho
Da cor: tonalidade Da vida: trecho Da morte: temor De nome: Telma
De Telma: TOTALIDADE.

10, 9, 8 ...

Quantas vezes por dia seu ano começa? Quantas listas de desejos você já precisou fazer e quantas vezes teve que rasgá-las e esquecer?
Eu não quero mais pedir, listar, enumerar. Descobri que não estou pronta para entender meus próprios pedidos.
Aí o que resta são as coisas que você conseguiu e que mal consegue dar valor porque não consegue desviar o olhar daquelas que você não conseguiu...E elas ficam lá, sem o traço do sentimento completo, carregando em si os sentidos desconexos, incomodando-te.
Hoje eu achei as palavras exatas para fazer de conta que eu entendi que é melhor nem fazer as listas se você terá que rasgá-las.

O ano só começa agora se você não sabe contar

Chico e eu

Todo o Sentimento
Cristóvão Bastos - Chico Buarque

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu

Caleidoscópio

Muito me perturba pouco me move. Muito me incomoda pouco me tolhe. Durmo mal, sonho tanto, ouço tudo igual. Tudo diferente a cada instante, sinto. Nada como antes, tudo tão distante, crio. Arriscar, desprender, repensar. Arrimar, compreender, retomar.

All I ever wanted comes right down to you

Sentidos

Têem sido dias diferentes ao redor. É estranho perceber que há muito mais que 15 passos até a porta do vizinho. Eu perco a noção das horas. Me desencontro dos dias da semana. É tão profunda a tua maneira de me explicar segredos. Nascer, crescer e morrer me assusta. Mudanças calam sentimentos. Choro uma incapacidade de tudo quanto cabe na minha mão. Um mundo à observar.

Um único lugar. Um único dia. Quantas pessoas te abraçaram? Pra quantas você sorriu? Quantas novidades te contaram? Quantos sonhos você viu? O que te desejaram? Quantos obrigados você ouviu? Que sentidos te aguçaram? Que refrão você repetiu? Há muito, muito mais pra experimentar do que você jamais imaginaria. Em todos os lugares, por todos os dias.



A esperança é mutável.
Ore!

Palavras

"Vou dizer uma coisa, que não costumo dizer para qualquer pessoa, muito menos em vão. Você me encanta. Desde o início, desde o comecinho, com uma demonstração clara de inteligência e perspicácia... Difícil, mas intrigante. Fui te escalando, te descobrindo, percorrendo alguns caminhos, achando atalhos, enfim... Até você amolecer. E aí fui descobrindo outras coisas, outros caminhos, outras possibilidades...
E não querendo ser precipitado, ou pretencioso, sei que este é apenas o início. Mesmo indo longe, e percebido muita coisa em você, degustei muito pouco, não que você seja pouco, ao contrário, é tudo muito intenso, você, HALELUIA, é uma mulher profunda, intensa, com muito conteúdo. E fico feliz demais em poder ter compartilhado e experimentado um pouco disso tudo que você É.
Menina, mulher, sol, lua...aparentes contradiçoes que vivem em perfeita harmonia, dentro desse coração imenso que tens. Se eu tive paciência contigo, foi porque entendi que você nâo quer ser machucada, que você nâo brinca e por isso, não quer que brinquem com seus sentimentos, porque és intensa demais para pessoas fúteis ou que são pela metade, pessoas que não suportariam a veracidade da sua presença, nem tão pouco a profundidade da essência que você emana, e ninguém consegue ver, pois é sutil, e arde e queima, mas não se percebe de onde vem...
Por isso e por muito mais, que não caberia aqui, é que você me Encanta. E por isso fui paciente e compreensivo com você. Se foi um espelho que nos retraiu, nos repeliu, nos apartou, num primeiro momento, é esse mesmo espelho que nos permitiu dar a volta, baixar a cabeça e nos unir, ao menos, dentro do que foi possível."

Se todas as palavras se acabarem, ainda existirão sentimentos que falarão por si

Irrisório

ah se você lesse meu pensamento, ia poder ter uma idéia do quanto eu sinto pena de você... O quanto eu acredito mais e mais na sua incapacidade de aprender algo bom. Vai ser tão ignorante assim lá longe viu. Suas ações, suas palavras, seus olhares de superioridade, putz, tanta pose para não enxergar o óbvio! Tanta satisfação em ser tão mesquinho, tanta hipocrisia junto eu nunca vi! Estou abismada. Você ai, perdendo tempo olhando as coisas pelas frestrinhas enquanto eu, ahhh, eu faço questão de esticar meu pescoço pra ver o mundo!!!

Enquanto você quer, eu tenho! Enquanto você vai, eu fui! Enquanto você pensa, eu sou! Enquanto você afunda, eu vôo! ... Mas tudo insignificante pra você não é? Sentando no topo do seu mundinho ordinário, cheio de certezas e razões, se esquece do resto. Esquece do sentido das coisas, do objetivo humano, esquece que você não é ninguém...

Magoar alguém é transferir para outrém
a degradação que temos em nós

Simone Weil

Over and Over

MAGIC IN SINGLE OPPORTUNITIES =)
Magic lies in getting the most number of possible interpretations for things that are unique. I got inspired somehow...
Thanks for the magic existence!

Depoimentos me fazem chorar. Trabalhos intermináveis me dão dores e me fazem chorar quando acabam depois de 14h sem interrupções.


Sensível

...Quisera...
Quisera eu voltar o tempo, viver as coisas que eu já vivi de forma diferente. Acelerar o tempo e viver o futuro logo, aquele que me espera na próxima vez que eu respirar.
Se eu pudesse olhar para esse mesmo futuro e ter a certeza ou a quase certeza ou mesmo a ilusão da certeza de que eu posso dobrar a esquina sem medo, que eu posso cometer qualquer erro inocente e que eu posso enfrentar tudo e todos sem que eu sinta a pele dilacerar, eu assim o faria. E assim seria outra, nova, pura.
...Quimera...

Última e Primeira

Diz-se na estória da Cinderela que a carruagem vira abóbora à meia noite... O tempo de acreditar em contos de fadas acabou e por mais que eu tente acreditar que não há motivos para as coisas serem entrelaçadas do jeito que são, parece-me que a física quântica ri enquanto eu finjo não ver que tudo descarregado aqui me leva à mesma direção.
É por isso que eu decidi, como tantas outras vezes, mudar de rumo... novamente. Desta vez sem deixar nem sapatinho de cristal nem rastros para trás. Vou-me. E não vou na tentativa de abandonar-te porque eu sei, e você, embora ria e finja que a física não existe, também sabe que não há como abandonar-se.
Vou apenas para poder dançar longe de tantos olhares. Por tantos caminhos tanto quantas vontades poderei seguir. Sem varinha de condão, sem antecipar futuros, sem pensamentos e sem intenção. Vou respirar do outro lado livre da idéia de que há sempre um único destino para todas as palavras. Só levo comigo tudo que na minha alma cabe e que na minha mala não pese. Enquanto do lado de cá logo de mim tudo se esquece.

Adeus. Vou escrever-me em outro lugar.
E assim foi feito.

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar você
Ana Carolina

Reprise

Despedida

Despedidas são assim,
com cara de chuva que inunda,
com cara de noite que tira luz,
com cara de perda do que nunca se teve.
Vêm, apenas vêm...
Tiram de nós algo de brilho,
algo de bom...algo de nosso...algo de alguém...
apenas vêm...

Despedidas
Dos que vão por ciclo natural da vida...
dos que vão por opção, dos que têm que ir...
dos que a vida distanciam,
pela hora errada, pela situação errada..
na vontade suprimida em cada um...
mas, se tem que ter despedidas,
tchau, enfim.
Jane Lagares
15/09/2006

Tempo: um outro. Nome: um mesmo. Lugar: incerto.
Eu teimo em andar em círculos

Vão da memória

Eu sei que não vou lembrar o jeito certo de sentir. Talvez eu nem consiga esquecer. Tanto tempo já passou que a impressão que tenho é que ainda consigo ver os mesmos passos na rua reta. Um a um. Às vezes eu fitava o céu, tentando descobrir Deus sorrindo pra mim. Às vezes eram os prédios que tinham a minha atenção. Todos alinhados, testemunhas da minha necessidade estranha de estar perto de ti.
Seguravas-me pelos braços, pelas mãos, pela cintura e eu tentava emparelhar meus passos aos teus. Um a um. Ali perto de ti, naquele mundo tão diferente, me sentia em casa. Fui descobrindo que aquele dia cinza iria refletir em cores um dia importante da minha vida. De seqüencias pretas e brancas eu encontrei um coração no ladrilho do chão, à frente uma borboleta, mais à frente uma letra perdida e outra adiante... parecia que eu ia re-construir o mundo com ladrilhos.Era o mundo novo, colorido na calçada.
O riso feliz de criança, que descobre uma coisa, sem perceber que todo mundo já sabia, apareceu. Talvez só eu saiba a intensidade de todos aqueles passos. Todos eles. Cada um. Um a um. Talvez só eu entenda também que naquele dia, um coração se achou e um outro se perdeu. O meu, é igual àquele da rua reta, daquele dia, um coração de ladrilho dobrado no papel... Talvez jamais se esqueça...


Nas ruas de outono, os meus passos vão ficar
Ana Carolina

Desassossego

Eu descobri. Descobri que quero preencher com palavras todos os cantos que você deixou em branco quando partiu. Sei que elas não serão as mais doces, nem mesmo poderão me acalentar. Não serão digeríveis ou tangíveis. Elas serão sim aquelas marcadas pelo vazio, pela melancolia trazida nos olhos de quem não vê o finito das coisas. Aquelas descoradas e gastas de si mesmo, jamais entendidas.
Eu me cerco então em páginas, capítulos e livros de mim. Todos empilhados à altura da mão estendida e dos sentidos famintos. Um mundo ao redor das estórias pisadas e repisadas. E a cada linha, espremida com tamanha força, cada letra do seu nome irá saltar. E assim, da reescrita de todas as palavras haverá uma nova ordem, em cada canto, um novo conto em branco se descobrirá.


O coração se pudesse pensar, pararia
Fernando Pessoa