Pergunte. ELE te responderá
balança
Sou o ponto de contato com o outro.
Trato das relações mais profundas.
Tenho necessidade de conhecimento.
Busco tudo o que é manifesto e o que está oculto.
Sondo os segredos da alma e do coração.
Sou instrumento para pesar e ponderar.
Sou divisão, mediação, conciliação e verdade.
Entendo a realidade conflitante da minha própria existência.
Às vezes serena e tolerante, às vezes rompante e tufão.
Ouço. Harmonizo. Pacifico.
Sou elemento ar. Agito e cogito.
Sou curiosa, diplomática, leal, dialética e comparativa.
Sou regida por Vênus, meu verbo é amar.
Guio-me pela justiça, sensualidade, espiritualidade e perfeição.
Sou cardinal, represento o começo.
Tenho polaridade positiva.
Sou fogo. Sou cobre. Sou nobre.
Sou princípio ativo.
Inicio. Lidero. Construo.
Sou o caminho do meio e a medida de todas as coisas.
- A vida é assim mesmo- cheia de surpresas.
- Ótimo aspecto no céu- algo novo para você.
- Nem tudo são palavras- o amor se revela nos pequenos gestos.
Inocência
Ela diz: Quer ficar comigo pra sempre? ele disse: não.
Ela diz: Vai chorar quando eu for embora? ele disse: não.
Assim que ela estava indo embora, chorando... ele agarrou seu braço e disse: Você não é bonita, é linda! Eu não queria ficar com você, eu preciso ficar com você. Eu não choraria se vc fosse embora... eu morreria.
Hoje à meia noite seu verdadeiro amor vai notar que gosta de você, alguma coisa boa vai acontecer entre as 13hs e 16hs, amanhã, em um lugar. Se prepare para o maior choque da sua vida, se quebrar essa corrente vai ser amaldiçoado nos próximos dez anos, mande para 15 pessoas em 30 minutos, e terá recompensa 100%, alguém que você gosta muito irá se declarar.
Temos que acreditar, de alguma forma, que algo é verdade.
Ser professor é isso, é acreditar. Acreditar que o mundo pode ser mudado por jovens que aprendem a ser cidadãos pela ponta do nosso giz. Acreditar que ainda existem olhinhos brilhando em busca de algo a ser descoberto.
É entender que as transformações são sempre "turbo-lentas".
É ser o exemplo melhor explorado, a explicação mais clara e a lembrança. É aprender muito mais que ensinar. É ser pai, ser mãe, ser o ombro amigo.
É acreditar na inocência do amor, na promessa de novos tempos e não quebrar a corrente.
blindness
- i can see you any color, all the hues of the rainbow! he said.
- i need no more than one, so far. she said.
you can stare but I'll be still invisible to you. she hushed.
i see... he silenced.
mil acordes
Foi só o acaso, um descuido do cosmo que trouxe a música que me fazia jamais esquecer você e dei me conta que de repente você não estava mais aqui há tempos.
Só sobrou um arrepio de pele, um olhar perdido na parede desbotada, uma lembrança de carinho e uma confissão pela metade, letra do começo ao fim decorada.
Nem parece que foi ontem que passaram-se anos sem ouvir de você.
Um tempo ao longo da canção.
it will be there to the end after everything is gone:
the music"
OAR
100% metáfora
Juntei várias palavras às conchas dentro do meu prato fundo, aguarrei a primeira colher à vista e sentei-me com os olhos brilhando. Com a colher mexia um roda-moinho de significados liberando calor em névoa de aquecer o coração.
E lá elas iam juntando-se como pontos magnéticos: Bê com Ó, Tê com A. êMe com I com êNe e junta Gê com A com U. Usa o Gê com A e o Tê com Ó. Pega o A junta com êMe, cola Ó no éRe.
Lembro-me de porta, escola, medo, pato, dica, pane, telma, momento. Juntei car, lace, not, sand, name, love, paper, pen, soup. Fiz paris, amour, au revoir.
Imaginava um universo de fatos em movimento e intensidade.
Um silêncio cheirando tempero e conforto.
A sopa tinha gosto de saudade...
fim da página
Ele inventou o mundo e a pôs lá dentro dele perfeita a morar e Ela sentiu-se perfeita dentro da história que passou anos a sonhar. Amada, Ela passou sentimentos seus a Ele mostrar e Ele amado, sentiu-se confortável e construiu novos cômodos para Ela espalhar.
Com mais espaço a espaçar, Ela foi escrevendo pelas paredes e o céu dele de colorido passou a pintar. Com um céu colorido, Ele escrito em tantas paredes ia de encontro aos anseios dela que passou também ansiar.
Trocavam sensações, concebiam palavras para diminuir a distância só para ela deixar de distanciar. Para Ele, uma carta a nunca chegar e para Ela, um choro ao telefone a se deparar. Ele ia desenhando laços entre os dois e Ela ia se deixando amarrar.
Ele prometia que aquilo tudo nunca ia acabar. Ela acreditava que aquilo tudo só estava a começar. Feliz no mundo inventado dos dois estava a reciprocidade a reinar. Fizeram viagens, filhos e livros juntos, sem sair do lugar.
Até que ninguém sabe se foi de dia ou de noite, se foi junto ou separado que eles sentiram algo mudar.
Ela olhou para Ele com tudo a questionar. Ele olhou para Ela, parecia nada notar. Ela balançou a cabeça tentando aquele sentimento estranho dissipar. Ele já sabia que sua cabeça estava em um outro mundo a desbravar. Pensando que tudo era bobeira, Ela decidiu também por ele encontrar. Pensando na bobeira de tantas decisões, Ele se pôs a caminho dela chegar.
Olho no olho, olhar. Pele com pele, encostar. Horas passaram a voar. Confissões, abraços e promessas em um quarto estranho a tatuar.
Meio coração dela, algum choro engolido, uma carta escondida e o mapa de volta para sua casa Ele estava a levar. Meio coração dele, muito choro disfarçado, uma dedicatória de seis ou sete linhas e o caminho de sua casa Ela refaz com tanta palavra por falar.
Dai em diante uma sucessão de desencontros a desencontrar. Mais ainda Ele ia se ausentar. Mais ainda Ela ia procurar. Tentaram em vão não pensar no fim eminente que estavam a enxergar.
Tanta coisa Ela acumulou até Ele voltar: outra saudade. Tanta coisa Ele trouxe debaixo do braço sem Ela carregar: outros planos. Ele redesenhou o espaço, excluiu janelas, trocou fotos, esqueceu palavras e pôs se a cor da parede trocar. Ela no espaço recuado mil perguntas a perguntar, mil hipóteses a esquadrinhar e mil certezas a confirmar.
Tudo mudo. Todo mundo.
Tudo muda, é de se esperar.
Ele continua movendo sem nenhuma resposta enviar, seus compromissos que o fazem dela se esgueirar. Ela continua imóvel com uma ou outra palavra a ensaiar, a fala mal sai dela sem embargar.
Ele foi outro mundo criar. Ela sentiu o ar lhe faltar.
O silêncio recíproco fez o amor inventado calar e a história dos dois no fim da página terminar.
sobram memórias aqui, ali, dentro de cada um separado, em todo lugar.
Fortune cookie
"-Estamos tão longe, suspirou.
-De onde?
-De nós mesmos."
(Gabriel Garcia Marques)
Céu de Aquarela

Daria pra parar o mundo aqui, mas enquanto eu penso as cores mudam novamente até o dia acabar.
Tudo perfeito. Tudo simples. Tão distante.


